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28 de set. de 2011

Depois de muito pensar



Durante os últimos meses, tenho entrado em contato com a EaD de diversas formas.

Como professora, tenho visto como a atividade à distância traz benefícios para o meu aluno de curso presencial. A interação dos alunos fora da sala de aula em fóruns de discussão, a comunicação síncrona para discutir e tirar dúvidas e as atividades de reflexão e pesquisa propostas para fazer em casa têm mostrado resultados incríveis na sala de aula. O aluno volta motivado e muito mais bem preparado. Observei também um amadurecimento muito mais rápido, do ponto de vista da comunicação de ideias e da organização do pensamento.

Como aluna, tenho duas linhas de análise: a minha ação/experiência como aprendiz e as minhas observações e leituras sobre o assunto propriamente dito.

Vamos à primeira: meu perfil de aluna sempre foi o da estudiosa, "cdf", "crânio", porém sempre desorganizada e "do fundão". Na EaD, sofro um pouco com prazos mas, por outro lado, me sinto instigada a sempre buscar mais; abriu-se um universo de conteúdos e possibilidades de aprendizagem que - talvez já existisse, mas - eu não enxergava dentro da diminuta sala de aula. A possibilidade de usar a madrugada para estudar e interagir também é ponto positivo. Este desafio tem sido transformador. Vivo às voltas com 6-unidades-atrasadas-para-estudar-e-um-trabalho-para-entregar-até-sábado, mas também tenho tido uma experiência muito mais rica de aprendizado do que a oferecida pelo ensino presencial tradicional.

Em outro nível de análise - o da pesquisadora, observadora, leitora - observei, em meus passeios por blogs, fóruns, conversas com colegas, algumas questões que se destacam (para meus olhos) no panorama da EaD no Brasil e no mundo:

1) O alunado: não pesquisei muito sobre outros países, mas, no Brasil, o aluno que procura o curso de EaD ainda é, infelizmente, aquele que não tem tempo e está a fim de um 'cursinho fácil para pegar um diplominha'. Gente, acorda, curso EaD é muito mais exigente do que o presencial. Precisa de tempo e dedicação.
A reportagem do Blog Brasileiro de Educação à Distância, disponível aqui, trata de uma fatia desse alunado desavisado. Umas das consequências desse equívoco é a alta taxa de desistência, que eu mesma já comentei em outro post deste humilde blog.

2) O tutor/professor/orientador: Observo que há ainda algum despreparo, inexperiência e algo de amador em algumas instituições, o que pode tirar a credibilidade da EaD para muitos. Os tutores sobrecarregados em nome do lucro também são problema, já que o aluno, quando sente que não está sendo apoiado e cobrado, tende a desanimar e desacreditar da qualidade do curso.
É preciso preparar e profissionalizar o tutor. Não dá para tratar mais a Educação como ofício. Alguns professores de guspe-e-giz ainda funcionam bem no empirismo, mas - felizmente - estamos caminhando para o professor 'qualidade total' e fugindo do empoeirado 'ensino por amor'.
(Leia o artigo "Formação de professores não é prioridade", do Blog Brasileiro)

3) A tecnologia: certamente é fundamental para garantir a comunicação e a interação. Mas temos ainda muitos alunos para os quais isso é um empecilho. E, pelo que eu observei, não existe muito apoio por parte das instituições nesse aspecto, é mais um "se vira, meu filho!". Ainda não fechei minha opinião sobre esse assunto. Tendo a pensar que é de responsabilidade do aluno, mesmo, 'se virar' para dar conta das ferramentas. Talvez.

4) O novo paradigma: a diferença entre o curso presencial e o curso à distância não é simplesmente a mudança do meio de comunicação. É uma mudança no modo como se entende Educação, é uma evolução que coloca o aluno no papel central do seu aprendizado. Há instituições que apenas trocaram a apostila no xerox pelo arquivo pdf, e a aula presencial por um vídeo postado no ambiente virtual. Isso nada mais é que mandar antigas mensagens através de meios modernos (o link é para um vídeo do blog Educação à Distância, para inspirar a reflexão sobre meio e mensagem).
O que queremos é uma Educação transformadora e coerente com as novas características e demandas da nossa sociedade. E precisamos de alunos que saibam pensar com autonomia.
 "Novas tecnologias exigem novos conteúdos"!

Enfim, estou em transformação. Por enquanto, é isso que penso. Tomara que logo mude, senão, é sinal de que não teve evolução.

14 de set. de 2011

Primeiro curso de Graduação à Distância da USP tem índice de evasão de 30% no primeiro semestre

A notícia saiu no Jornal do Campus: Licenciatura em Ciências tem 30% de evasão no primeiro semestre

Após ler um post sobre o assunto no Blog Educação à Distância, fiquei instigada e resolvi procurar mais informações sobre o assunto.

Aqui transcrevo os trechos do artigo que mais me fizeram pensar:
"(...) cerca de 30% nunca acessaram as aulas e a coordenação os considera desistentes."
Gente, quem que entra em um curso em EaD e não acessa as aulas? Não que eu seja um exemplo de assiduidade, mas vamos combinar que só ir pegar o diploma é marmelada né!
"O coordenador do curso (...) acredita que isso se deve ao fato de muitos pensarem que o curso seria totalmente a distância(...)"
Aí cabe a pergunta: esses alunos leram o contrato de matrícula quando o assinaram? Ou isso não estava claro antes do início do curso?
"Ainda há preconceito e desconfiança na USP, porque o ensino a distância é novo e algumas instituições privadas já o fizeram de modo pouco adequado.”
De fato.
“Esse é o modelo USP, que não existe fora daqui. Não tem nada a ver com os outros cursos a distância do país. Esse curso dá um suporte fortíssimo para o aluno”
Achei meio esnobe. Tem muitos cursos de altíssima qualidade no Brasil.

Achei o modelo muito interessante, e ele reúne o melhor que estou vivenciando nos dois cursos à distância que estou fazendo.
Modelo USP de Ensino Semipresencial (infográfico: Ana Carolina Marques)
(fonte: jornaldocampus.usp.br)


E aí? O que acharam?

Uma passada pela história da EaD no Brasil

Pessoal, estou disponibilizando para vocês um vídeo sobre a evolução da EaD no Brasil.


O vídeo, além de muito informativo, também está bem engraçado. Eu apareço no minuto 3:53. Sou a Sandrinha, a amiga da Dona Palmirinha, que está voltando aos estudos no Instituto Universal Brasileiro.
O Edu de hippie está impagável.

Divirtam-se!

2 de set. de 2011

Back to black

Esse ano resolvi que ia estudar pra valer. E parece que dessa vez vai!

Em março comecei, na Universidade Federal do ABC, o mestrado ProfMat, realizado pela UAB e coordenado pela SBM. O curso é semi-presencial, então todo sábado estou eu a caminho de Santo André para sentar de novo na carteira do aluno. E tenho aprendido muito.

Em agosto comecei a pós-graduação na Anhanguera em "Metodologias e Gestão para Educação a Distância". O curso, é claro, é EaD, e agora cá estou, voltando à cadeira do aluno. Só que, agora, a cadeira do aluno é a confortável e fofinha poltrona do meu escritório.

Espero grandes coisas dessa experiência. Meio-termo não vai ter.